
Banco de músculos
Deu pra notar? Todo mundo só fala de proteína, creatina, treino de força e “banco de músculos”. Mas pra quem tem 40+, essa conversa vai muito além de ser uma "grande gostosa": tem a ver com como você quer envelhecer.
Músculo – a famosa massa magra – é investimento em saúde física, mental e autonomia. “Depois dos 40, com a queda na produção dos hormônios estrogênio, progesterona e testosterona, a perda de massa muscular acelera. E o risco de lesões, fraturas e osteoporose só aumenta”, explica a Dra. Patricia Valentini Melo, ginecologista e consultora na formulação do SHE_Talks 40+.
E o impacto é ainda maior nas mulheres: a queda hormonal nos faz perder massa magra mais rápido do que os homens. Por isso, treinos de força, como a musculação, são praticamente inegociáveis quando o assunto é longevidade. Você já sabe: atividade física regular, pelo menos 3x por semana, tem que entrar na agenda.
Músculo em dia = cérebro em dia
A parte mais fascinante? Músculo também protege o cérebro. Durante o exercício, o corpo libera miocinas, substâncias anti-inflamatórias produzidas pelos músculos que atuam diretamente no cérebro — melhorando funções cognitivas e reduzindo o risco de doenças como Alzheimer. “Uma condição muscular boa não traz só benefícios físicos: regula a memória, o humor e quadros depressivos, comuns na menopausa”, diz a Dra. Patricia. Ou seja: quanto mais esse bíceps levanta peso, mais o cérebro se protege.
Mas, para construir músculo, treino é só metade da equação. A outra parte está no prato. Proteína suficiente = construção muscular eficiente. Vale proteína animal, vegetal e, também, uma suplementação pensada pra essa fase da vida.
E na força dos seus ossos, já pensou?
A partir dos 50 anos, a perda de massa óssea acelera drasticamente para as mulheres por causa das mudanças hormonais causadas pela menopausa. Com ela, o risco de osteopenia e osteoporose dispara.
“Enquanto os homens também envelhecem, eles mantêm níveis mais estáveis de testosterona, que também tem efeito protetor sobre os ossos. Resultado: nós perdemos mais massa óssea, mais rápido — e ficamos mais vulneráveis a fraturas, fatores super limitantes e de alta morbidade. Por isso que, por muitos anos, a reposição hormonal teve como principal indicação a prevenção da osteoporose”, diz a Dra. Patricia.
A partir dos 60 anos, a densitometria óssea entra como um dos exames fundamentais do check up – é ela que determina a densidade óssea, ou seja, quão poroso o nosso esqueleto está. Mas saúde óssea não é só densidade, tem a ver com qualidade e também com o famoso banco de músculos. Entendeu como tudo se conecta? 😉
Na prática:
- Avalie a reposição hormonal com um especialista, isso pode ser um divisor de águas para a saúde óssea.
- Boa alimentação, livre de ultraprocessados e recheada de boas proteínas, vegetais verdes-escuros e castanhas faz diferença.
- Inclua cálcio e vitamina D na rotina, por meio da alimentação ou suplementação orientada.
- Sol com moderação (sem filtro, por 20 minutos diários) impacta a absorção da vitamina D.
- Treinar é fundamental: deixe os seus músculos em dia para proteção do esqueleto.
- Não subestime a densitometria óssea no check-up anual.